E chegou o dia em que abriu a janela e aquela brisa que invadiu seu quarto era de um doce alento para seu coração
Já não necessitava dos adornos nem das perolas e idéias que pareciam necessárias carregar, era livre como estar nua caminhando pela praia
Quando lembrava dele sentia entre amor e dor menos peso, inspirou o ar das rosas do jardim de sua avó que trazia o perfume da lembrança da infância.
Resolveu então que faria um dia diferente e foi maquiar os olhos e colocar um vestido florido que quando andasse pelas ruas reluzisse a primavera de dentro dela, os sapatos seriam os vermelhos de veludo.
Feliz porque sabia que agora poderia ter de volta o seu amor, seria ele o homem que fazia com que ela se sentisse completa sem precisar completar coisa alguma. Ele só precisava existir e ela só gostaria de deitar a cabeça em seu peito e descansar o dia durante a noite sentindo o cheiro do corpo dele e a respiração do seu descanso.
Ela não diria nada, não cobraria nada, não quereria nada alem de olhar para seus olhos verdes e sentir-se amada, assim seria completude, assim poderia andar exalando o perfume das flores e sorrindo para os dias de sol ou de chuva. Ele não precisava ligar e nem ela saber, ele poderia fazer o que o fizesse feliz porque de repente ela entendeu que a felicidade dele só poderia ser a sua felicidade e ela estaria sempre ali oferecendo um alento as dores da vida para que ele pudesse repousar as suas angustias, ela seria um alento, o amor e só, não precisava ser mais nada.
Então ela saiu pelas ruas e foi a feira comprar frutas, escolheu peras e uvas e tocou em todas as outras frutas gordas e levou todas elas até a ponta do seu nariz, sentiu os gostos e os cheiros, se eram espessas ou lisas. Passeou, durante muitos dias, entre feiras, trabalho e parques, sempre sabendo que pertencia a ele sem o peso de ser, era simples, natural e voluptuoso, era...e continuará a ser até quando não mais ...